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DOENÇAS PROFISSIONAIS E DO TRABALHO

As doenças abaixo especificadas são consideradas pela Coordenação de Saúde do Trabalhador do Ministério da Saúde prioridades para notificação e investigação epidemiológica. São elas:

- Doenças de vias aéreas: dependem do material inalado, "da susceptibilidade individual e do local de deposição das partículas". As principais são:

Pneumoconioses: "resultantes da deposição de partículas no parênquima pulmonar" gerando um quadro de fibrose do tecido pulmonar.
A silicose "é a principal pneumoconiose no Brasil". É causada pela "inalação de sílica livre cristalina (quartzo)". Atinge trabalhadores que atuam em "indústria extrativa, em beneficiamento de materiais, em fundições", etc. Tem evolução lenta e progressiva e, em geral, seus sintomas se iniciam entre 10 a 20 anos de exposição. O indivíduo começa apresentando tosse e escarro não tendo alteração radiográfica. Com o agravamento da doença, surge dispnéia podendo evoluir para cor pulmonare crônico (BRASIL, 2001).
A asbestose é resultante da inalação do asbesto ou amianto. Estão expostos os trabalhadores da indústria extrativa, indústria de transformação, construção civil, manutenção de telhados e fornos (tijolos refratários), etc. Pode se manifestar após alguns anos de exposição e é caracterizada por dispnéia de esforço, estertor crepitante em bases, baqueteamento digital e pequenas alterações radiográficas. A exposição às fibras de asbesto pode ainda causar câncer de pulmão (BRASIL, 2001).
A asma ocupacional "é a obstrução difusa e aguda das vias aéreas", reversível, causada pela inalação de substâncias alergênicas como poeiras de algodão, linho, couro, etc. O indivíduo apresenta-se com um quadro de asma brônquica, dispnéia, tosse, sibilância, rinorréia e espirros. Tais sintomas podem aparecer no local da exposição ou após algumas horas desaparecendo quando há afastamento do local (BRASIL, 2001). Nos três casos, deve ser feito o afastamento imediato e definitivo da exposição; notificação e investigação do caso; solicitação de emissão de CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho) pela empresa e outras medidas conforme o caso. 

- PAIR - Perda Auditiva Induzida por Ruído: Caracterizada pela "diminuição gradual da acuidade auditiva, decorrente da exposição continuada a níveis elevados de ruído" no local de trabalho. É neurossensorial, irreversível e não progride após cessado o ruído. Confirmado o diagnóstico, o trabalhador deverá ser afastado da exposição. O caso tem que ser notificado e investigado e a empresa emitir o CAT (BRASIL, 2001).

- LER/DORT: Lesões por Esforços Repetitivos/Doenças Osteomusculares Relacionadas com o Trabalho são "decorrentes das relações e da organização do trabalho existentes no moderno mundo do trabalho" em atividades com movimentos repetitivos, posturas inadequadas por tempo prolongado, ritmo intenso, sobrecarga mental, entre outros. Os acometidos, geralmente mulheres e trabalhadores da linha de montagem do setor metalúrgico, financeiro, de autopeças e de processamento de dados, apresentam dor crônica, parestesia, fadiga muscular e ainda, medos, dúvidas e ansiedade. Na suspeita, o trabalhador deverá ser avaliado por profissional habilitado e, confirmado o diagnóstico, "deverá ser afastado das atividades laborais", realizado fisioterapia e tratamento medicamentoso. A notificação será feita e a CAT emitida.

- Intoxicações:
-Agrotóxicos: praguicidas, pesticidas, agrotóxicos ou venenos causam grandes danos à saúde humana e ao meio ambiente. São classificados quanto à toxicidade (extremamente tóxico, altamente tóxico, medianamente tóxico e pouco tóxico), a qual grupo químico pertence (organofosforados, organoclorados, piretróides, etc.) e sobre qual organismo atuam (inseticidas, fungicidas, bactericidas, etc.)
-Chumbo (Saturnismo): provoca intoxicação a longo prazo e a intoxicação "depende das propriedades físico-químicas do composto, da concentração no ambiente , do tempo de exposição, das condições de trabalho ( ventilação, umidade, esforço físico, etc.) e dos fatores individuais do trabalhador". Acomete os trabalhadores de "fabricação de baterias; indústria de plásticos; fabricação de tintas; pintura a pistola/pulverização com tintas à base de pigmentos de chumbo; fundição de chumbo, latão, cobre e bronze; trabalhos com solda; envernizamento de cerâmica", dentre outros. Surgem dores abdominais e em articulações, cansaço e alterações sangüíneas e diuréticas (BRASIL, 2001).
-Mercúrio (Hidrargirismo): o mercúrio adentra o organismo "por inalação, absorção cutânea e por via digestiva". Acomete aqueles ligados à extração e fabricação do mineral, manômetros, termômetros, lâmpadas, no garimpo, etc. É irritante de pele e mucosas, afeta os pulmões e nos casos crônicos é caracterizado por gengivite, sialorréia, irritabilidade, tremores (BRASIL, 2001).
-Solventes Orgânicos: os hidrocarbonetos são utilizados "como solubilizantes, dispersantes ou diluentes em empresas, meios rurais e em laboratórios químicos". Os solventes são inalados pelos trabalhadores expostos atingindo os alvéolos pulmonares e o sangue capilar. Efeitos tóxicos são observados no fígado, pulmões, rins, sangue e sistema nervoso (BRASIL, 2001).
-Benzeno (Benzenismo): mielotóxico, os sintomas podem ser fadiga, palidez, infecções, epistaxe. Pode estar relacionado com leucemia mielóide crônica, com a leucemia linfocítica crônica, com a doença de Hodking e com a hemoglobinúria paroxística noturna.
-Cromo: utilizado em galvanoplastias; na indústria do cimento; na produção de ligas metálicas; soldagem de aço inoxidável; na produção e utilização de pigmentos na indústria têxtil, de cerâmica, vidro e borracha; é irritante da pele e vias aéreas superiores. Causam prurido nasal, rinorréia, epistaxe, dispnéia, tosse e até câncer.

- Picadas por animais peçonhentos:

Acidentes ofídicos: possui grande importância por ser grave e bastante freqüente no país. É importante a classificação da cobra em peçonhenta e não peçonhenta. Tal identificação viabiliza o reconhecimento das espécies de importância médica e auxilia na indicação do antiveneno a ser administrado (MANUAL, 1999). Os critérios de diferenciação das cobras não são totalmente confiáveis e podem gerar erros, devendo portanto, ter-se o cuidado com a manipulação do animal. As principais características das cobras peçonhentas são:

        - presença de fosseta loreal (orifício situado entre a narina e o olho, órgão responsável pela  termorregulação);

        - presença de presas;

        - forma da pupila em fenda vertical;

        - formato da cabeça triangular;

        - afunilamento brusco da região caudal;

        - hábitos noturnos.

 

Os gêneros de interesse médico são: Bothops (jararaca), Crotalus (cascavel), Lachesis (surucucu) e Micrurus (coral). Os sinais e sintomas da picada varia conforme o gênero da cobra e pode incluir edema e dor locais, mal-estar, náuseas e vômitos (SCHVARTSMAN, 1991).

 

Acidentes escorpiônicos: os escorpiões de maior importância médica pertencem ao gênero Tytus destacando-se o T. serrulatus (patas amarelas e presença de uma serrilha na região dorsal), T, bahienses ( todo escuro) e T. stigmurus, este, mais comum na região nordeste do país (MANUAL, 1999).

A dor é imediata e o tratamento se baseia em medidas sintomáticas e de suporte e soroterapia (SCHVARTSMAN, 1991).

 

Acidentes aracnídeos: as principais aranhas são as do gênero Phoneutria (armadeira), Loxosceles, Latrodectus e Lycosa (aranha-de-jardim). As picadas da caranguejeira não possuem importância médica. Os animais peçonhentos não fazem teia. O quadro clínico é variável e, geralmente, é encontrada dor local (SCHVARTSMAN,1991).

 

As picadas de insetos com ferrão provocam reações de hipersensibilidade como hiperemia, edema, dor e calor local que variam de indivíduo para indivíduo devendo ficar atento à sinais de dificuldade respiratória (MANUAL, 1999).

O acidente causado pelo contato com lagartas é chamado de "erucismo". Causa dermatite urticante com dor local intensa. Dentre as principais espécies destacam-se a Lonomia sp. e Podalia sp (MANUAL, 1999).

O HC/UNICAMP conta com um serviço de controle de intoxicações onde são fornecidas informações sobre animais peçonhentos. O telefone para contato é (19) 3788-7555 ou (19) 3289- 3128.

- Dermatoses ocupacionais: Caracterizada por toda alteração de pele, mucosas e anexos. Causadas por substâncias químicas presentes no ambiente de trabalho.

- Distúrbios Mentais e Trabalho: causados pelas condições de trabalho, vinculadas à execução do trabalho e sua organização estruturação hierárquica, divisão de tarefa, jornada, ritmo, trabalho em turno, intensidade, monotonia, repetitividade, responsabilidade excessiva que  podem desencadear distúrbios psíquicos. O indivíduo apresenta-se irritado, cansado, com alterações no padrão do sono, humor alterado, descontrolado emocionalmente ou tristeza, acompanhados ou não de dores, inapetência, sudorese, taquicardia, entre outros.

 

Para saber mais sobre o assunto, consulte o livro “Patologia do Trabalho” de René Mendes, editora Atheneu.

 

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LESÕES POR ESFORÇOS REPETITIVOS

 

As Lesões por Esforços Repetitivos (LER) ou Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT) são agravos relacionados ao trabalho caracterizados pela ocorrência de vários sintomas entre eles dor, parestesia, sensação de peso e fadiga acometendo geralmente os membros superiores. "Freqüentemente são causa de incapacidade laboral permanente ou temporária" e resultam "da superutilização das estruturas anatômicas do sistema osteomuscular e da falta de tempo para recuperação" das mesmas (BRASIL, 2001).
São vários os fatores que podem levar ao distúrbio como:

· a repetitividade de movimentos;
· posturas inadequadas por longos períodos de tempo;
· esforço físico;
· invariabilidade de tarefas;
· pressão mecânica sobre determinados segmentos do corpo;
· trabalho muscular estático;
· choques e impactos;
· vibração, frio;
· fatores organizacionais como ritmo de trabalho, pressão e autoritarismo por parte da chefia e horas excessivas trabalhadas;
· predisposições individuais como idade, estado geral de saúde, habilidade manual, etc.


Para o diagnóstico, é necessária uma história clínica detalhada da doença atual, relevando as principais queixas do indivíduo, assim como a história ocupacional do mesmo. Também são considerados os antecedentes pessoais e familiares, hábitos e comportamentos, exame físico e investigação do seu ambiente de trabalho como meio ambiente, mobiliário, instrumentos de trabalho, possibilidades de mudança postural, de pausa e de variabilidade de tarefas.
Alguns fatores devem ser associados como idade, sexo, principais queixas clínicas considerando intensidade, duração e freqüência da lesão, se o quadro é local ou generalizado, características da organização do trabalho e ainda, presença de outros casos na mesma empresa.
Confirmado o diagnóstico, a empresa deverá emitir a CAT em até 24 horas. O segurado deverá ser encaminhado ao INSS para receber o auxílio doença até que lhe seja concedido alta por esta intituição. Com a alta sem restrição, o trabalhador retorna à sua atividade habitual. Na alta com restrições, o indivíduo deverá exercer uma nova função compatível com o seu quadro atual.
Os acometidos precisam ter ciência e fazer uma reflexão sobre a sua nova condição, já que a LER/DORT é uma doença incapacitante, conota o trabalhador como um ser frágil pela sociedade e, ainda, se encontra fora do mercado de trabalho. A atuação sindical é necessária e bastante válida por parte desses trabalhadores e das categorias profissionais envolvidas a fim de "interferir na adoção de políticas públicas na área de Saúde do Trabalhador" (SATO, p.148, 2001).
Através do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), a vigilância entra em ação buscando uma "articulação entre as ações da assistência e de promoção da saúde". Além do diagnóstico individual uma abordagem coletiva em empresas e locais de trabalho onde há uma maior freqüência de casos da doença é importante.
Uma abordagem multidisciplinar em saúde e trabalho pode ser criada para a "investigação da doença, diagnóstico e tratamento", contando com diversos profissionais como médicos, engenheiros, enfermeiros, psicólogos, fisioterapeutas, ergonomistas, dentre outros. Cabe a esta equipe prestar informações, orientações, diminuir ansiedades, estimular o autocuidado, ajudar o trabalhador na reinserção no mercado de trabalho e a lidar com o seu problema. Para tanto, a equipe se utiliza de sessões em grupo, oficinas terapêutico-pedagógicas, técnicas de relaxamento, fisioterapia e tratamento medicamentoso (BRASIL, 2001).
Ações de educação, "desenvolvimento da metodologia de investigação dos ambientes de trabalho", relações interinstitucionais entre empresas e centros de referência e capacitação e interação nas equipes são alguns dos objetivos do tratamento e reabilitação dos acometidos (BRASIL, 2001).

As mulheres são as principais vítimas das LER devido à sexualização dos postos de trabalho e ainda, a alternância do trabalho assalariado e o doméstico fazendo com que as trabalhadoras não tenham o devido descanso.
Quanto à prevenção, devem ser pensadas modificações organizacionais, relacionais entre trabalhador-trabalho. Somente a diminuição dos fatores de risco não é eficiente(SATO, p.150, 2001).


No Brasil, não há um sistema que informe o número total de acidentes de trabalho, nem os acometidos pela LER. O que existe são dados da previdência social que computam apenas os trabalhadores formais e os que possuem contrato trabalhista representando menos de 50% da população economicamente ativa. Segundo os dados de 1997 pode-se comprovar a alta incidência da doença com relação a outras como convalescença pós-cirúrgica, ferimentos de dedos de mão e fraturas. Sua alta incidência e a importância da sua manifestação fez com que as DORT sejam consideradas um grave problema de saúde. Desde 1987, quando a doença passou a ser reconhecida como ocupacional pela Previdência Social, os registros de casos aumentaram significativamente, fato este que pode ser explicado por alguns fatores como a intensificação do trabalho e aumento da expressão social dos acometidos, que acabam tendo maior poder de pressão sobre os órgãos públicos e empresas para que tomem providências quanto à prevenção, reabilitação, indenização, legislação, disseminação do problema entre as categorias profissionais e ampliação dos canais de informações.

 

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ACIDENTES DE TRABALHO

 

Acidentes de trabalho são aqueles que ocorrem "pelo exercício do trabalho formal ou informal" podendo causar lesões, doenças - que podem levar a redução temporária ou permanente da capacidade laboral - ou morte. Também são considerados os acidentes ocorridos no trajeto da  residência ao local de trabalho e vice-versa (BRASIL, 2001).
"São eventos agudos decorrentes de situações de risco no local de trabalho" como ruídos, vibração, radiação, ventilação, umidade, exposição a microorganismos patológicos, a gases tóxicos e a poeira, divisão organizacional do trabalho (jornada, ritmo, trabalho noturno, postura inadequada, repetitividade de movimentos, esforço físico, entre outros), falta do uso de equipamentos de segurança e manipulação de ferramentas defeituosas (BRASIL, 2001).
Os acidentes fatais devem ser notificados pela empresa através da CAT imediatamente, enquanto que os acidentes menos graves têm que ser notificados em até 24 horas.
A CAT (comunicação de acidentes de trabalho) é um formulário emitido pela empresa preenchido em seis vias, onde cada uma delas segue um determinado destino. O INSS fica com a primeira via, a empresa com a segunda via, a terceira com o segurado, a quarta com o sindicato, a quinta ao SUS e finalmente, a sexta via com a Delegacia Regional do Trabalho. O emitente da CAT é que deve entregar as vias para os respectivos destinos. Para maiores informações, visite o site: www.mpas.gov.br/12_04_04.htm.

São considerados acidentes graves:

· Os que ocorreram em menores de 18 anos;

· Ocular;

· Fraturas;

· Amputação traumática;

· Traumatismo crânio-encefálico, de nervos e medula;

· Politraumatismo;

· Asfixia, afogamento;

· Queimaduras de III grau.

O profissional da saúde deve acompanhar e articular a assistência na rede de referência, acompanhar a emissão da CAT, notificar e investigar o caso e ainda, intervir no ambiente de trabalho desenvolvendo ações e orientação para os funcionários.

 

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O TRABALHO FEMININO

 

A inserção da mulher no mercado de trabalho vem crescendo, aumentando de 18,2% em 1970 (Perfil Estatístico/UNICEF/IBGE) para 41,4%, em 1999, da população economicamente ativa (PEA) de acordo com a PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio, 2001). Segundo dados do Relatório de Desenvolvimento Humano da ONU (1995) as mulheres representam 53% do trabalho total - remunerado e não remunerado - nos países em desenvolvimento. As assalariadas correspondem a 44% das trabalhadoras brasileiras (IBGE/PNAD, 2001).
A prestação de serviço é o setor no qual as mulheres atuam com maior freqüência, representando 29,4%, seguida da atividade agrícola, 20,4% e atividade social, 17,4% (IBGE/PNAD, 1999).
Os trabalhos considerados masculinos "podem ter características como insalubridade, periculosidade e exigência de força física" e os "femininos são caracterizados pela meticulosidade, leveza, sedentarismo", entre outros aspectos. Isso permite "ocultar as diferenças de salário e de critérios de promoção, dificultar a união das reivindicações e justificar muitas das discriminações e penalidades a que as mulheres estão sujeitas" (COHN & MARSIGLIA, p.65, 1993).
As mulheres, muitas vezes ainda, atuam em postos menos qualificados sob ritmos extenuantes de trabalho em indústrias. Precisam demonstrar habilidade manual, paciência e disponibilidade, qualidades consideradas natas.
No que diz respeito às funções repetitivas, estas são majoritariamente realizadas por mulheres podendo causar lesões osteoarticulares. Ainda, estão expostas também à deterioração da capacidade visual, estresse, fadiga, dermatose, problemas reprodutivos e desordens emocionais. Geralmente são vítimas de violência verbal e físicas e ocupam locais menos favorecidos que os homens em seu ambiente de trabalho (BRITO, 1997).
As desigualdades de gênero são observadas nos salários (estes de valores inferiores mesmo que a função exercida seja a mesma), na hierarquização do trabalho, manifestando-se na sua organização e nos direitos. O rendimento médio das mulheres em relação ao dos homens, em janeiro de 2001, em São Paulo foi de 61,9% e, em Belo Horizonte, 60,5% mostrando tal disparidade (DIEESE/SEADE/PED - Pesquisa de Emprego e Desemprego). Na legislação, são notadas a inadequação das condições de trabalho feminino, além da restrição para caracterização dos adicionais de insalubridade, periculosidade e penosidade (BRITO, 1997).
Há ainda as trabalhadoras autônomas, informais (vendedoras, lavadeiras, etc.) que realizam um trabalho precário exercendo suas atividades no próprio lar, buscando um aumento da renda familiar, além de realizarem o serviço doméstico e o cuidado com os filhos. No Brasil, em 1999, 26,0% das mulheres sustentavam suas famílias (IBGE/PNAD, 2001). No trabalho por conta própria foi encontrado 16,6% e, trabalhavam sem remuneração, 13%. Ainda, 9% realizavam o trabalho de subsistência. Essas mulheres não possuem carteira de trabalho assinada e, portanto, encontram-se sem proteção trabalhista (DIEESE/SEADE/PED, 2001).
A precariedade pode ser definida tanto "em relação às novas formas de emprego, quanto às condições de trabalho, em função do enfraquecimento ou perda dos direitos sociais, sindicais, de prevenção e de reparação dos riscos". Isso pode ser a causa da desvalorização do trabalho feminino (BRITO, p.200, 2000). O trabalho feminino tem se caracterizado também pela dupla e, as vezes, tripla jornada de trabalho (COCCO, 1997).
Alguns autores relatam que é culturalmente atribuída à mulher a responsabilidade pelo cuidado dos filhos fazendo com que sua participação no mercado de trabalho diminua a medida que ela tenha filhos. A falta de recursos em empresas como creches e berçários fazem com que as mulheres abandonem sua atividade remunerada para que possa cuidar dos seus filhos (SENNA & FREITAS, 1993).
Segundo BRITO (p.197, 2000) algumas tendências em relação ao trabalho feminino podem ser apontadas:

· "Incorporação de elevada proporção de mulheres em processos produtivos por multinacionais onde o custo de produção seja menor";

· "Acirramento da diversidade e heterogeneidade das situações de trabalho dos homens e mulheres";

· Aumento "do trabalho feminino e maior vulnerabilidade das trabalhadoras frente a precarização o trabalho".

Enfim, "a divisão sexual do trabalho, produzida pela organização do trabalho, impõe-lhes jornadas ilimitadas que, associadas ao trabalho familiar e aos menores recursos de que dispõem, representa esforço excessivo contribuindo para deterioração progressiva da saúde dessas mulheres", inclusive a saúde mental (BRITO, p.203, 2000).
Estratégias para intervir nos problemas que afetam a saúde da mulher trabalhadora devem ser elaboradas e colocadas em prática como manifestar contra sua situação, "denunciando a opressão" e trazendo novos temas para o sindicalismo, propor "adoção de práticas sindicais sobre o assédio sexual", a violência e o questionamento da divisão sexual do trabalho. Conforme documento redigido no I Congresso Mundial "Mulher, Trabalho e Saúde" em abril de 1996, a questão do gênero deve ser introduzida na investigação a fim de promover a saúde das mulheres (BRITO, 1997).

 

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LINKS

 

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EVENTOS

 

 

10o ENENT - Encontro Nacional de Enfermagem do Trabalhador

21 a 23 de agosto de 2002

Auditório da Uniban

São Paulo - SP

http://www.anent.org.br

Tel: (11) 5507-7278

 

 

7o International Congress of Behavioral Medicine

28 a 31 de agosto de 2002

Helsink - Finlândia

http://www.icbm2002.com

 

 

16th EPICOH Congress on Epidemiology in Occupational Health

 2nd  Jark Pepys Symposium on Occupational Asthma

 3rd  International Congress on Women's Health: occupational, câncer and reproduction

11 a 13/09/2002

Barcelona - Espanha

http://www.suporserveis.es

 

 

 

 

27o ICOH/2003 - Congresso Internacional de Saúde no Trabalho
23 a 28 de fevereiro de 2003
Foz do Iguaçu - PR - Brasil
http://www.icoh2003.com.br/
Tel: (41) 353 - 6719

 

 

 

International Ergonomics Association - IEA 2003
Ergonomics in the digital age
24 a 29 de agosto de 2003
Seul - Coréia
http://www.iea2003.org

 

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

BRASIL: http://www.saude.gov/Trabalho,  nov, 2001.

BRITO, J.: Uma proposta de vigilância em saúde do trabalhador com a ótica de gênero. Cad.
Saúde Pública
, Rio de Janeiro, 13 (Supl. 2): 141-144, 1997.

BRITO, J.: Enfoque de gênero e relação saúde/trabalho no contexto de reestruturação produtiva e
precarização do trabalho. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 16 (1): 195 - 204, jan - mar, 2000.

COCCO, M.I.M.: Reestruturação produtiva e o setor saúde, trabalhadores de enfermagem em Saúde Coletiva. Tese de Doutorado. EE Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, 1997.

COHN, A.; MARSIGLIA, R.: Processo e Organização do Trabalho In: ROCHA, L.E.;
RIGOTTO, R.M.; BUSCHINELLI, J.T. Isto é trabalho de gente? Vida, Doença e Trabalho no Brasil. Petrópolis, Vozes, 64 - 65, 1993.

DIAS, E.C.: Aspectos Atuais da Saúde do Trabalhador no Brasil In: ROCHA, L.E.; RIGOTTO, R.M.; BUSCHINELLI, J.T. Isto é trabalho de gente? Vida, Doença e Trabalho no Brasil. Petrópolis, Vozes, 144-146, 1993.

DIEESE - IBGE/PNAD: A mulher no mercado de trabalho. Sociedade Brasileira de Pesquisa de Mercado, 13, jan - mar, 2001.

MACHADO, J.M.H.: Processo de vigilância em saúde do trabalhador. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 13 (Supl. 2); 33 - 45, 1997.

MANUAL de Diagnóstico e tratamento de Acidentes por Animais Peçonhentos. Brasília: Fundação Nacional de Saúde, 1999.

SATO, L.: LER: objeto e pretexto para a construção do campo trabalho e saúde. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 17 (1):147 - 152, jan - fev, 2001.

SENNA, D.M.; FREITAS, C.U.: A Mulher em Particular In: ROCHA, L.E.;RIGOTTO, R.M.; BUSCHINELLI, J.T. Isto é trabalho de gente? Vida, Doença e Trabalho no Brasil. Petrópolis, Vozes, 359 - 365, 1993.

SCHVARTSMAN, S.: Intoxicações agudas. 4a ed. Sarvier, São Paulo, 1991.

WÜNCH FILHO: Reestruturação produtiva e acidentes de trabalho no Brasil: estruturas e tendências. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 15 (1): 41-51, jan - mar, 1999.

 

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