Laerte A. Peres*No terceiro semestre de graduação em Enfermagem esta disciplina, com seis horas semanais, teve como objetivo geral conhecer uma Unidade Básica de Saúde, as ações de enfermagem e suas formas de intervenção no processo saúde-doença. As sensações de desconforto e angústia, foram reduzidas neste semestre, uma vez que estávamos dentro de um Centro de Saúde , não apenas para estudá-lo e acrescentar o estágio como mais uma disciplina ao currículo de formação, mas também para dar alguma contribuição à Unidade Básica de Saúde. A classe foi dividida em quatro grupos e estes foram para Centros de Saúde em regiões diferentes. Na maior parte do tempo permanecemos na Unidade Básica de Saúde, sendo que duas horas por semana eram reservadas em salas de aula na faculdade para os estudos teóricos e levantamento de questões sobre o estágio. Os docentes nos estimulavam e relacionar o que estávamos vendo no Centro de Saúde e sua relação com os modelos assistenciais, com a reforma sanitária, municipalização, metodologia de planejamento em saúde etc. Não podemos dizer que foi uma tarefa fácil, apesar de estarmos em campo de estágio, porque alguns temas eram relativamente abstratos, o que nos confundia com a realidade de estágio; um exemplo disso foi entender os modelos assistenciais e sua relação com nossos trabalhos realizados em campo. Em algumas aulas teóricas foram convidados profissionais da área de saúde coletiva e membros de Conselhos de Saúde para expor suas experiências. Foi muito produtivo porque foi possível compreender melhor a ampla atuação do enfermeiro na área de saúde coletiva do município e estado. Cremos que nossa falta de experiência não colaborou muito para extrair dos convidados o máximo de informações que nos ajudassem em nossa futura vida profissional. Em campo de estágio, a maioria dos grupos optaram por se dividirem e conhecerem a região de abrangência do Centro de Saúde. Foi possível visitar empresas, creches, escolas, entidades assistenciais, analisar o território (população, água, luz, esgoto, lixo, lazer, riscos à saúde etc.), conhecer o projeto de controle da dengue e compreender como o Centro de Saúde resolve os problemas com os faltosos da vacinação. Esta experiência foi muito rica para todos os alunos porque tivemos contato direto, sem a presença do docente, com várias entidades e pessoas. Exemplos disso foi a visita à favela, que é muito pobre, a qual despertou nos alunos algumas necessidades que os moradores têm que, até então, passavam desapercebido pelos estudantes; outro exemplo foram as dificuldades que os agentes do programa contra a dengue encontram ao se depararem com moradores que têm criadouros da dengue e não querem eliminá-los ou deixar estes profissionais entrar na casa. Existem outros casos de experiências ímpares para nós, como a forma que um profissional da saúde deve abordar os faltosos de vacinação, as creches, as indústrias etc. Também foi possível compreender como a enfermagem atua na organização do sistema de saúde. Para isso os alunos buscaram informações sobre a área de cobertura do Centro de Saúde, o histórico deste, a área física, o programas desenvolvidos, a equipe de saúde e as funções da enfermagem. Este foi um momento de analisar a Unidade Básica de Saúde e integrar-se com os funcionários, entrevistando profissionais e procurando documentos e informações para completarmos o ciclo dos estudos desta disciplina. Ao final do estágio, todo o nosso trabalho foi apresentado, em uma reunião, aos profissionais do Centro de Saúde (enfermeiros, dentistas, médicos, psicólogos, auxiliares de enfermagem etc.), que foram muito receptivos com críticas e sugestões, o que deixou-nos mais confiantes no nosso trabalho realizado. Foi um estágio em que o foco de atenção dos alunos foi conhecer a estrutura e funcionamento das Unidades Básicas de Saúde, sua relação com outros níveis de referência e como que as políticas de saúde interferem no processo saúde-doença.
*Aluno do Curso de Graduação em Enfermagem da Unicamp e bolsista de Iniciação Científica da FAPESP ORIENTADORA: Profª. Dr.ª Maria Helena Baena de Moraes Lopes CO-ORIENTADORA: Profª. Dr.ª Márcia Regina Nozawa
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